
mAat, ou ma’at (com M minúsculo) é o conceito Kemético que trata diretamente da justiça divina do fazer certo e por último da moral humana. Sua tradução pode ser tida como “verdade”, “justiça”, “ordem”, “lei” ou “aquilo que é certo”.

Enquanto Netjeret, Ma’at (com M maiúsculo) é considerada a primeira emanação de Atem ou Rá e Ela era representada como uma mulher alada ou uma mulher sem asas sentada e sempre com uma pena de avestruz branca na cabeça. Esta mesma pena era usada na pesagem do ib (coração) do morto no salão de julgamento do Duat que é chamado de “Salão das Ma’ati” ou “Salão das Duas Verdades”.
Com relação a pena não é o animal avestruz que importa, já que é um animal que só tinha mais ao sul da Africa, é a pena que é o importante. Elas eram trazidas por mercadores e eram tidas como artigo de luxo e, apesar de sua aparência de serem ultra frágeis, elas são resilientes e fortes. Você pode esmaga-las, amassa-las ou dobra-las, mas na hora em que você as solta, elas voltam a sua forma original – o que mostra muito da natureza de ma’at.
O conceito de ma’at é algo que existe e que não pode ser contido. Ma’at é a ordem cósmica que deve ser sustentado, preservado e obedecido. Ela é o grande pilar que sustenta toda a Criação e que garante que a mesma não se reverta a um estado de incriação e estagnação.
Sem ma’at não há interação, ordem e nem equilíbrio em nada. Ela é passada para nós através de Netjer que permite que possamos entende-la e preserva-la em nós mesmos e no mundo.
Ma’at cria-se a partir de ser entregue, ou seja, os Netjeru nos dá ma’at e nós entregamos de volta a Eles. Isso seja na forma de ações e pensamentos que resultam no desenvolvimento de ma’at em nosso ambiente ou seja através da oferenda literal de ma’at a Netjer. Neste prática era comum os sacerdotes ofertarem uma imagem de Ma’at dentro de uma cesta chamada de “nb” ou “neb” que representa o Todo e a totalidade do cosmos e da Criação. Este ato tinha como objetivo ofertar parte do próprio equilíbrio e verdade cósmica aos Netjeru para que Eles possam transformar isso em mais ma’at para toda a Criação.
Ma’at caracteriza-se pelo movimento! Ela cria movimento a partir das próprias ações e também se alimenta de movimento que resulta em ma’at. Ela é o mecanismo que causa a Criação continuar a existir e o Zepi-Tepi (o Primeiro Tempo) a manter-se em repetição em Djed (a eterna mudança ou eterno movimento) e em Neheh (a eterna mesmice ou eterna estabilidade).
Ao manter o equilíbrio, ma’at luta contra as formas de oposição a ela que buscam desfazer a Criação e resultar em um estado de incriação, sendo elas isfet (“caos/maldade”), gereg (“mentira”) e binet (“opressão”).
Da mesma forma como Ma’at se estabelece pelo movimento, isfet faz o mesmo pelos atos da mentira e da opressão, e quando isfet se movimenta, ela dá forças ao Incriado, aquele que dissemina isfet para causar a incriação e a destruição de Ma’at.
“iu ma’at er iyet er setes
isfet djarty er ruty.”
“Ma’at irá retornar a Seu trono
pois isfet é afastado.”
SIUDA, Tamara. The Ancient Egyptian Prayerbook, 2009
(Agradeço a Nisut
Hekatawy-Alexandros, Rev. Tamara Siuda, por todas as belas palavras sobre Ma’at que ajudaram no desenvolvimento desse texto)