O que é Kemetismo?

km.t

Nada mais justo do que iniciar um blog sobre religião Kemética falando justamente disso: KEMETISMO.

As palavras Kemético e Kemetismo tem origem na palavra km.t ou Kemet. Esse era o termo usado pelos antigos para nomear as terras pertencentes ao Egito, e seu significado é “Terra Negra”, referente a cor da terra fértil próxima do nilo nos momentos de inundação e entrando em contraste com um deserto próximo chamado de dSrt ou Deshret, “Aquele que é Vermelho” ou “Deserto Vermelho”.

Sendo assim já é possível compreender que tudo que começa por “Kemet” é referente ao Antigo Egito.

Kemetismo costuma ser um termo usado para pessoas que se referem as diversas formas de religiosidade que existiram em Kemet e que são revividas e reconstruídas nos tempos atuais, porém existe um pequeno equivoco com relação a este termo. Enquanto palavra, “kemetismo” não é um termo referente a religião, especialmente devido ao fato de que os antigos keméticos não tinham essa concepção de religião que temos hoje em dia, era algo natural que fazia parte da vida, logo, eles não tinham nome para se referir a forma de religiosidade deles. “Kemetismo” passa a ser uma palavra do qual determina TUDO ligado ao Antigo Egito, então o ideal seria se referir a religiosidade egípcia como “Religião Kemética”.

E apesar do título do texto, venho falar dessa subcategoria especifica do Kemetismo: as religiões keméticas nos tempos atuais.

Kemet também era conhecido como “Duas Terras”, o Alto Egito e o Baixo Egito, do qual foi unificada na mão do Faraó na primeira dinastia. Cada região era composta de diversos distritos, chamados de Nomos.

As religiões Keméticas buscam trazer aos tempos atuais as formas de crenças e práticas desses Nomos desde o período do Antigo Império até o início ou um pouco posterior ao Período Ptolemaico. As tradições Keméticas que validam todas essas crenças em tantos períodos da história em um lugar muito vasto costumam ser chamadas de Revivicionistas, porém existem grupos Keméticos que buscam trazer de forma idêntica uma crença e prática de um período e de uma região específica, que são as tradições Reconstrucionistas.

Apesar de eu poder falar de períodos e regiões específicas em alguns textos, eu sigo um caminho revivicionista, tanto por fazer parte da Ortodoxia Kemética, que busca isso, quanto por escolha pessoal e crença de que as religiosidades mudam conforme a sociedade também muda seus dogmas e necessidades.

Mas afinal, o que consiste uma forma de religiosidade Kemética?

Em sua grande maioria, as religiões Keméticas tem, primeiramente, caráter politeísta, isto é, tem a crença em diversos deuses que se manifestam de forma independente. Algumas tradições seguem o politeísmo monolátrico, tendo o credo de que os deuses são fruto de uma mesma fonte – no caso dos keméticos, de Netjer.

Nossos deuses são chamados de Netjeru, um termo que significa “divinos” ou “forças”. É compreendido que os Netjeru são parte da natureza que nos cerca, estando presente nos frutos naturais dos acontecimentos e na própria natureza, ao mesmo tempo que tinham a capacidade de compreender que a natureza é algo em conjunto da divindade. Logo é entendível que o chão que pisamos é a terra no sentido mais literal e banal da coisa, mas também é algo sagrado por ser uma forma de manifestação do deus Geb. É possível olhar para o céu e separar que o céu que vemos não é o corpo físico de Nut, mas uma forma de manifestação da compreensão divina da deusa.

Crenças, cosmogonias, práticas e atributos de divindades variavam muito de Nomo para Nomo. Em alguns, eles compreendiam que o deus Ptah criou tudo. Em outras, foi Rá na forma de um pássaro que cantou a criação. Em outras, Nit, a divindade andrógina, deu a luz a Rá e desenhou tudo que se foi criado. Em outras, Amun impulsionou a criação de dentro do abismo primordial. Em outras….

Sendo assim, as histórias, mitos e cosmogonias variavam demasiado. Para caminhos revivicionalista todas essas formas de crenças podem coexistir juntas enquanto caráter mitológico, onde cada praticante pode ter sua preferência para trabalhar e cultuar, ou não. Mas dentro de todas essas divergências, a religião mantém alguns pilares universais: Netjer(u), Ma’at, Akhu – e em alguns casos, Nisut e a comunidade.

  • Netjer(u): Como já explanado, o culto aos antigos Deuses são o principal foco e ponto de partida de muitos praticantes de caminhos religiosos Keméticos. Nejter coordena os ciclos e garantem que a Criação se estabeleça como deve.
  • Ma’at: Fiz um texto apenas sobre Ma’at, mas explicando rapidamente Ma’at é a ordem cósmica de pureza, verdade e justiça que mantém a Criação em existência, manutenção e mudança. Em minha opinião o pilar mais importante que sustenta até mesmo os outros.
  • Akhu: Akhu ou Mortos Abençoados são os espíritos dos nossos ancestrais que são justificados e verdadeiros, tendo passado pelo julgamento no Duat (mundo dos mortos) e que nos guardam e auxiliam a todo momento.
  • Nisut: Em alguns casos, como na Ortodoxia Kemética, uma figura de liderança religiosa existe e toma o papel de Nisut-Bity, ou Faraó. Esta figura é aquela que comanda os ritos e que mantém a tradição em existência e equilíbrio.
  • Comunidade: Em caso de praticantes que fazem parte de um grupo ou tradição, o respeito e comunhão com aqueles que partilham dos mesmo ritos é essencial. Em casos solitários isso também pode acontecer com o auxílio da internet, proporcionando troca de experiências, práticas e conhecimentos.

Sendo assim, esses pontos principais existem em comum na prática de diversos Keméticos, sejam eles revivicionistas ou reconstrucionistas.

Os egípcios eram também conhecidos pelas suas práticas sacerdotais e mágicas e esses são tópicos que quero falar em postagens exclusivas, mas de ante-mão já digo que questões sacerdotais vai depender da tradição que se segue enquanto a magia para os keméticos não era algo essencial, mas que ao mesmo tempo era impossível de se fugir, pois para eles o simples ato de rezar é um ato mágico, ou como chamamos, um Heka (Hekau no plural).

Não existe uma única forma de prática religiosa Kemética, nem nos dias atuais e nem na própria história de Kemet. Os ritos e crenças mudaram de muitas formas, sendo assim, para aqueles que desejam iniciar um caminho de entendimento a este novo trilhar, a primeira coisa a se fazer é estudar e compreender a organização cósmicas, social, política e religiosa da antiga Kemet.

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