As Almas

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humanos

A mumificação é um dos aspectos mais conhecidos dentre os legados deixados pela cultura Kemética, a função desta prática dá-se pela preservação do corpo do morto para outros corpos da pessoa manter-se funcionando. Estas partes são referentes às divisões da alma que os egípcios tinham dentro da sua mitologia.

Alguns desses corpos espirituais aparecem apenas depois do processo de morte, então é bom ressaltar que algumas são desenvolvidas ainda depois de a pessoa estar no Duat.

Segundo a egiptóloga Rosalie David, esse conceito foi estabelecido no Antigo Império, isto é, na época em que ocorreu a unificação dos dois reinos, empreendida pelo faraó Menés e que se estendeu até pouco antes de 2181 A.E.C.

As divisões são:

Xt ou Khat (“Corpo”)O corpo físico. Era acreditado que o corpo morto da pessoa era o elo entre a alma dela e o mundo terreno, assim, as oferendas para os mortos eram realizados dentro das tumbas, para que elas sejam diretamente recebidas pela alma da pessoa morta.

bA  ou BaA alma eterna.A parte espiritual que sempre existiu e sempre existirá. Os keméticos costumavam ilustrar o Ba como um pássaro com a cabeça da pessoa que o possui. Para eles o Ba tinha a capacidade de voar entre os reinos do oeste e do leste (isto é, dos mortos, o Duat, e o mundo dos vivos) e alguns acreditam que assim o Ba pode escolher um Khat novo para reencarnar. Após a morte, o Ba voava sobre o corpo morto para levar as oferendas até o Ka da pessoa que está no Duat. Em alguns casos alguns Netjeri (seres não humanos nem divinos) são chamados como o Ba de alguma divindade.

kA ou Ka (“Duplo”) – A alma pessoal. A parte espiritual que existe em todos nós especificamente nesta vida. Foi criada no momento em que a pessoa nasce, sendo assim, sua personalidade. Após a morte, o Ka é julgado no salão das duas Ma’atis através do Ib, se ela passar pelo julgamento ela se torna um Akh, se não passar é devorada por Ammit e deixa de existir. O Ka é fortalecido através de comida e água e alguns lugares era acreditado que Heqet ou Meskhenet criava o Ka da pessoa no instante do nascimento através do sopro.

ib ou Ib (“Coração”) – O receptáculo do Ka no corpo.É a coleção metafórica de todas as intenções, ações e pensamentos da pessoa, sendo então o que define seu caráter. É o corpo espiritual do coração físico (haty) e registra todos os feitos da pessoa que será colocado na balança contra uma pena de Ma’at na hora do julgamento. Nos processos de mumificação era colocado sobre a região do coração um amuleto de escaravelho enfeitiçado para que o coração não se vire contra a alma da pessoa.

Swyt ou Shuwyt (“Sombra” ou “Silhueta”) A sombra física da pessoa no qual os antigos acreditavam ser parte diretamente ligada ao Ka ou ao Ib e sendo uma “copia” da pessoa do qual ela representava, sendo assim, podendo ser manipulada por Heka (magia), onde estátuas de pessoas eram tido como um Shuwyt delas. Para eles o Shuwyt era uma proteção da alma para o corpo, tanto físico quanto espiritual e acompanhava o Ka quando o corpo morria, transformando-se em Sahu após um julgamento bem sucedido. A Shuwyt de uma pessoa era representada nas imagens funerárias como uma pessoa completamente pintada de negro.

Ax ou Akh (“O efetivo” ou “O brilhante”) O Ka que passava pelo julgamento no salão das duas Ma’ati tornava-se um Akh, se unindo a outros Axw ou Akhu (plural) nos campos de Wesir, tornando-se, assim, eternamente uma estrela no céu noturno no corpo de Nut entre os deuses. Os Akhu têm a capacidade de se aproximar da Terra para auxiliar os homens, principalmente aqueles da sua própria linhagem, e aterrorizar seus inimigos.

sxm ou Sekhem(“Poder”) A força vital presente em cada um dos corpos (ou também uma força que se estende entre todos). Ele é também um conduto para realizar Heka. Tudo que é vivo, humano ou não, é carregado de Sekhem de alguma forma; acredita-se que das oferendas feitas, os Netjeru se alimentam do Sekhem daquele alimento e deposita suas bênçãos em troca.

saHw ou Sahu(“Glória”) É dito que após um bom julgamento do Ka, a Shuwyt da pessoa torna-se um Sahu e tinha a capacidade de viajar entre os mundos, proteger os corpos astrais ou assombrar os homens vivos, sendo assim, o Sahu podia ser percebido por alguns no mundo físico. Inclusive no Médio Império foi encontrada em uma tumba a carta de um homem para o Sahu de sua esposa que o assombrava.

rn ou Ren(“Nome”) – O nome secreto dito pelos Netjeru no momento que foi criado o Ba. Os keméticos acreditavam que, caso a pessoa tivesse conhecimento do seu Ren, era preciso mantê-lo seguro, pois assim, se mais alguém o soubesse, a pessoa poderia ter domínio e poder sobre ela. O nome em vida da pessoa também tinha grande importância: quando ela morria, o seu nome era repetido diversas vezes nos escritos em sua tumba para que ele pudesse ser eternizado e relido diversas vezes, enquanto os nomes dos inimigos retirados de todos os documentos. Em um mito Aset envenena o Netjer solar Rá e promete cura-lo depois de Ele contar à Ela o Ren dele, sabendo o Ren de Rá, Aset ganha todos os poderes dele.

Os espíritos que por alguma razão evitam passar pelo julgamento são chamados deundefined mw.t ou Muuet (“morto”, e no plural Muuetu), onde, na maioria dos casos, eram relatados como espíritos perigosos, famintos e malignos.

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